Vice-presidente da Sociedade de Oftalmologia do RS alerta para diagnóstico precoce e explica que doença costuma não apresentar sintomas nas fases iniciais
Em entrevista concedida ao programa Conexão Itapuí, o vice-presidente da Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (SORIGS), Eduardo Bordin, falou sobre a prevenção do glaucoma, doença considerada a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Durante a conversa, o oftalmologista destacou a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico regular, especialmente após os 40 anos de idade.
Segundo Bordin, o glaucoma é uma doença crônica que provoca dano progressivo no nervo óptico, geralmente associado ao aumento da pressão intraocular. O problema, no entanto, costuma evoluir silenciosamente. “É uma doença que não apresenta sintomas. Quando os primeiros sintomas surgem, o paciente já está numa fase muito avançada da doença”, explicou. De acordo com ele, cerca de 3% da população mundial convive atualmente com o glaucoma.
Doença pode evoluir sem sintomas
O médico ressaltou que o principal tipo da doença, conhecido como glaucoma de ângulo aberto, normalmente não provoca sinais perceptíveis no início, o que reforça a necessidade das consultas preventivas. “A importância de conscientizar a população a procurar um oftalmologista, especialmente a partir dos 40 anos de idade, é justamente isso: fazer um diagnóstico precoce”, afirmou.
Nos casos mais avançados, alguns sintomas podem começar a aparecer, como visão embaçada, perda do campo visual periférico e dificuldades no dia a dia. “O paciente pode começar a esbarrar nos objetos em casa, às vezes no dirigir começa a se sentir um pouco mais inseguro”, relatou. Segundo o oftalmologista, como a perda visual ocorre lentamente, muitas pessoas acabam se acostumando às alterações sem perceber a gravidade do quadro.
Bordin também alertou para a influência do histórico familiar no risco da doença. “Pacientes com familiares com glaucoma têm um risco de duas a oito vezes maior de desenvolver a doença do que pacientes que não têm”, explicou, ressaltando que pessoas sem casos na família também podem desenvolver o problema.
Tratamento é contínuo e evita agravamento
Conforme o especialista, embora o glaucoma não tenha cura, o tratamento pode impedir a progressão da doença e preservar a qualidade de vida do paciente. Em geral, os casos são tratados inicialmente com colírios que reduzem a pressão ocular, podendo incluir laser ou cirurgia em situações específicas. “O glaucoma não tem cura, mas ele tem tratamento. O paciente vai usar medicamento para o resto da vida”, destacou.
O médico também fez um alerta sobre o uso indiscriminado de colírios, especialmente os que contêm corticoides. “Qualquer colírio que a gente vai pingar no olho é importante ter orientação sempre de um médico oftalmologista”, disse.
Durante a entrevista, Eduardo Bordin reforçou que a consulta anual ao oftalmologista, especialmente após os 40 anos, é fundamental para detectar alterações antes que haja comprometimento irreversível da visão. “Tratando os pacientes, eles ficam muito bem. A gente consegue mudar o prognóstico da doença e melhorar a qualidade de vida do nosso paciente”, afirmou.
Confira a entrevista na íntegra:
Imagem: Assessoria de Imprensa SORIGS
