Integrantes do grupo falaram sobre a preparação, o significado religioso e a mobilização de voluntários para confeccionar os tapetes no município
Em entrevista concedida ao programa Conexão Itapuí, os integrantes da Família Semeando de Santo Antônio da Patrulha, Lavínia Quadros, Adriano Nascimento e Eduardo Silva, falaram sobre a tradição da confecção dos tapetes de Corpus Christi no município. O grupo, responsável pelos trabalhos realizados nas ruas da cidade, destacou a mobilização dos voluntários, o simbolismo religioso e os bastidores da preparação das obras feitas com serragem colorida.
Segundo os integrantes, a Família Semeando surgiu em Santo Antônio da Patrulha por volta de 2008 e reúne pessoas ligadas à juventude católica e à evangelização. Embora centenas de pessoas já tenham passado pelo grupo ao longo dos anos, cerca de 40 a 60 participam ativamente das atividades. “Em torno de umas 300 pessoas já passaram e fizeram os nossos encontros, mas ativamente a gente tem em torno de 40/60 pessoas”, explicou Eduardo Silva.
Tradição começou em 2016
De acordo com Eduardo, o envolvimento da Família Semeando com os tapetes de Corpus Christi começou por volta de 2016, após conversas sobre projetos que poderiam ser desenvolvidos pelo grupo. “Eu disse assim pro Adriano: ‘Bah, tinha vontade de fazer aqueles tapetes lá, que aparece na televisão’”, relembrou. Desde então, a confecção dos tapetes passou a integrar o calendário anual do grupo e se tornou um compromisso coletivo. “Virou tradição, virou compromisso do grupo”, resumiu Adriano Nascimento.
A preparação dos tapetes exige dias de trabalho, desde a escolha das imagens até a pintura da serragem. Conforme os integrantes, o material é obtido por meio de doações de serrarias do município e pintado manualmente antes de ser aplicado no asfalto. “A serragem a gente sai pedindo nas serrarias e marca um ou dois dias pra pintar, porque é bem trabalhoso”, contou Adriano.



Trabalho atravessa a madrugada
A montagem dos tapetes acontece durante a noite e segue pela madrugada anterior às celebrações de Corpus Christi. “Começa ali sete horas da noite e normalmente a gente entra madrugada dentro”, explicou Eduardo. Lavínia Quadros contou que deixou a igreja por volta das 3h30, enquanto outros integrantes permaneceram até o amanhecer finalizando os detalhes.
Eduardo também relembrou a primeira experiência do grupo confeccionando os tapetes, marcada por dificuldades e surpresa com o resultado final. “Na nossa inocência, a gente pintou a serragem, ensacou e no outro dia estava tudo escorrido. Nós saímos dali bem desanimados, mas quando bateu o sol foi outra coisa. Ali eu acreditei que era um milagre”, afirmou.
Para além do aspecto artístico, os integrantes destacaram o significado espiritual da tradição. “Hoje eu creio que seja Jesus passando no que nós temos de melhor: a nossa mão de obra, o nosso amor, a nossa fé e o nosso carinho por Ele”, definiu Adriano.
Confira a entrevista completa:




