Projeto desenvolvido com bagaço de cana-de-açúcar garantiu medalha de primeiro lugar e credencial para uma feira científica no Equador, em 2027
A Escola Estadual de Ensino Médio Patrulhense, de Santo Antônio da Patrulha, participou recentemente de mais uma competição científica internacional. As alunas Maria Luiza Abreu e Pietra Matos receberam a medalha de primeiro lugar na FerCyTec Paraguay, realizada em Assunção, no Paraguai, com um projeto de produção de bioplástico a partir do bagaço da cana-de-açúcar. A conquista também garantiu às estudantes uma credencial para participar de uma feira científica no Equador, no próximo ano.
A experiência foi compartilhada pela diretora da escola, Bianca Salazar, pelos professores Mateus Carvalho e Thaís Ferreira e pelas alunas, em entrevista ao programa Conexão Itapuí. Durante a conversa, o grupo contou como o trabalho começou na feira de ciências da própria escola e avançou por outras competições até chegar ao evento internacional.
Projeto transforma bagaço de cana em utensílios
A ideia surgiu quando as estudantes ainda estavam no primeiro ano do Ensino Médio. Inicialmente, a dupla pretendia desenvolver um projeto relacionado a microrganismos capazes de consumir plástico, mas, durante as pesquisas, encontrou no bagaço da cana-de-açúcar uma alternativa para produzir um material biodegradável.
“Com esse pó adicionamos a água, farinha de trigo e vinagre. Levamos ao fogo até virar uma massa”, explicou uma das alunas ao detalhar o processo de fabricação. Depois, a massa é moldada em formatos como pratos, copos e talheres e levada para secar. Segundo as estudantes, o material pode começar a se degradar após cerca de sete meses.
O projeto, chamado Bagaplast, também considera a importância da cana-de-açúcar para Santo Antônio da Patrulha e a possibilidade de aproveitar um resíduo da produção local. Durante a entrevista, as alunas contaram que utilizaram apenas cinco gramas de bagaço para produzir dois pratos e um garfo.
A participação no Paraguai foi marcada pela apresentação do trabalho em espanhol para visitantes e avaliadores. As estudantes também responderam a perguntas sobre o desenvolvimento do material e o tempo de durabilidade dos utensílios. “Foi uma realização de um sonho, posso dizer assim, conjunto”, afirmou Maria Luiza ao falar sobre a oportunidade de representar a escola em outro país.



Feira de Ciências da escola terá 80 projetos
A trajetória das estudantes também foi destacada pelos professores como exemplo das oportunidades que podem surgir a partir dos projetos desenvolvidos na escola. Segundo a professora Thaís Ferreira, além da medalha de primeiro lugar, a conquista da credencial para a feira no Equador representa uma nova etapa para o trabalho.
A Escola Patrulhense realiza, na próxima sexta-feira, 16 de outubro, a quarta edição de sua Feira de Ciências. Conforme o professor Mateus Carvalho, coordenador da atividade, estão inscritos 80 projetos, desenvolvidos principalmente por estudantes do primeiro ano do Ensino Médio, além de alunos do segundo ano selecionados pelos professores.
A feira ocorrerá nos turnos da manhã e da tarde, com apresentações para a comunidade escolar e o público visitante. A programação estará aberta à comunidade a partir das 8h30.
