Rafael Ávila destacou que a mudança reforça a importância da organização do ambiente de trabalho e da gestão de pessoas para prevenir o adoecimento dos trabalhadores
Em entrevista concedida ao programa Conexão Itapuí, o técnico em Segurança do Trabalho e diretor da GSM – Gestão em Segurança e Medicina do Trabalho, Rafael Ávila, esclareceu as principais mudanças relacionadas à atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Segundo ele, a norma não é nova, mas passou a dar maior destaque à gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, tema que ganhou evidência diante do aumento das discussões sobre saúde mental.
Mudança reforça atenção à organização das empresas
Durante a entrevista, Rafael explicou que os riscos psicossociais já faziam parte das normas de segurança e saúde do trabalho, estando inseridos entre os riscos ergonômicos. A principal novidade é que o governo passou a dar maior visibilidade ao tema, exigindo que as empresas avaliem como sua organização, processos e gestão podem influenciar a saúde dos trabalhadores.
O especialista ressaltou que a discussão não está centrada no comportamento individual do empregado, mas na forma como a empresa conduz sua gestão. Entre os aspectos observados estão a clareza das funções, a comunicação interna, a confiança entre gestores e equipes e a organização do ambiente de trabalho, fatores que podem contribuir para prevenir conflitos e o adoecimento dos colaboradores.
Gestão de pessoas é apontada como principal desafio
Rafael Ávila afirmou que a adequação à NR-1 representa um desafio, especialmente para pequenas empresas, que muitas vezes cresceram rapidamente sem estruturar processos internos de gestão. Segundo ele, muitos empregadores ainda enxergam a norma apenas como uma exigência documental, quando, na prática, ela propõe mudanças na cultura organizacional.
O diretor da GSM também observou que ambientes de trabalho saudáveis favorecem a retenção de profissionais, reduzem a rotatividade e contribuem para melhorar a produtividade das equipes. Conforme relatou, a empresa atende cerca de 1.800 clientes e ainda percebe que uma parcela reduzida dos empregadores tem buscado agir de forma preventiva, aproveitando o período de adaptação antes da aplicação de sanções previstas pelo governo.
Ao final da entrevista, Rafael destacou que a gestão dos riscos psicossociais deve ser encarada como uma oportunidade para fortalecer a organização das empresas e promover ambientes de trabalho mais saudáveis.
Confira a entrevista na íntegra:
