Jonas Belolli, o Tabi, questiona a relação entre o poder público e a Cremolatto; presidente da Câmara, Marco Vinicius, afirma que atuação buscou beneficiar agricultores do município
A relação entre a Prefeitura de Caraá e a empresa Cremolatto foi tema de entrevistas com os vereadores Jonas Belolli (MDB), conhecido como Tabi, e Marco Vinicius Teixeira (PSDB), presidente da Câmara de Vereadores. As manifestações ocorreram no programa Conexão Itapuí.
Tabi cobra informações
O vereador Tabi afirmou que sua atuação tem como foco a fiscalização e que vem recebendo questionamentos da população sobre a parceria. Segundo ele, já foram protocolados cerca de 40 pedidos de informação, dos quais poucos haviam sido respondidos no momento da entrevista.
“Eu sempre fui um cara que sempre cobrou muito e de querer que as coisas andem corretas”, afirmou.
Sobre a Cremolatto, Tabi disse que inicialmente buscou informações para entender como funcionava a relação entre a empresa e o município, incluindo contrato e contrapartidas. Ele também questionou a abertura de uma franquia da Cremolatto em Caraá por Marco Vinicius, que havia sido secretário municipal de Agricultura durante o período da parceria. Segundo o vereador, a relação entre a atuação de Vinicius na Secretaria e a posterior abertura da franquia levantou dúvidas que, na avaliação dele, precisam ser esclarecidas.
Ele afirmou que, após o pedido, recebeu ligações e manifestações que considerou intimidações. O vereador informou que encaminhou a questão ao Ministério Público.
Tabi também questionou a utilização de veículo e servidores públicos no recolhimento da produção destinada à empresa e afirmou que seu objetivo é obter esclarecimentos sobre a utilização de recursos públicos. “Eu tô cobrando sim o poder público e o dinheiro público”, declarou.
Marco Vinicius apresenta outra versão
Na sequência, o presidente da Câmara de Caraá, Marco Vinicius, que também foi secretário municipal de Agricultura, apresentou sua versão sobre a parceria. Ele afirmou que a aproximação com a Cremolatto teve como objetivo criar uma alternativa de renda para os agricultores. “A gente começou uma tentativa, digamos, naquele momento, de atrair a empresa Cremolatto com único intuito de garantir, de ser uma alternativa de renda para o agricultor”, explicou.
Segundo Vinicius, a parceria teria gerado mais de um milhão de reais em renda para agricultores de Caraá desde 2021. Ele também afirmou que a Prefeitura realizou o escoamento da produção com base em mecanismos legais de fomento e que houve cedência de uma caminhonete da própria empresa, por um tempo determinado, para esse trabalho. O presidente da Câmara ressaltou que a utilização do veículo ocorreu mediante contrato e acompanhamento do Conselho Municipal de Agricultura. “Tudo passado por ata de conselho municipal de agricultura, tudo muito transparente”, afirmou.
Marco Vinicius acrescentou que a dinâmica deve mudar, com a própria empresa assumindo a logística de recolhimento da produção. Segundo ele, a Cremolatto já possui funcionário contratado no município para essa atividade, permitindo que a negociação passe a ocorrer diretamente entre empresa e agricultores.
O vereador afirmou que a aquisição da franquia ocorreu posteriormente e negou que tenha recebido qualquer benefício por sua relação anterior com a empresa. Segundo ele, inicialmente a Cremolatto havia oferecido a possibilidade a um lojista de Santo Antônio da Patrulha, que não teria demonstrado interesse. Depois disso, a oportunidade foi discutida com sua família e a franquia foi adquirida. “A gente adquiriu, mas como nos mais de cem lojistas, da mesma forma”, afirmou. Vinicius também disse que possui contrato de franquia e que paga os valores previstos pela empresa, sem qualquer condição diferenciada.
As entrevistas apresentaram, portanto, posições distintas sobre a relação entre o poder público de Caraá e a Cremolatto. Enquanto Tabi defende maior esclarecimento sobre os procedimentos e a utilização de recursos públicos, Marco Vinicius sustenta que a parceria foi estruturada para beneficiar os agricultores e que os procedimentos adotados foram formalizados.
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