
Há histórias que não cabem apenas nos fatos. Elas atravessam o peito, pedem pausa e exigem sensibilidade. A da pequena Antônia Maria, de 2 anos e 3 meses, é uma dessas. Entre risos leves, brincadeiras inocentes e um olhar que ainda descobre o mundo, existe um coração que precisa de ajuda, e com urgência.
Filha de Ani Carolini Souto Orizenco e neta de Paula Souto, Antônia cresceu como qualquer criança saudável, até que, ainda nos primeiros dias de vida, um sopro cardíaco acendeu um alerta. Inicialmente considerado inocente, o quadro evoluiu silenciosamente. Aos oito meses, o diagnóstico indicou “canal arterial patente (PCA)”. A esperança era de fechamento natural. Mas o tempo não foi aliado.
“Ela sempre foi ativa, alegre, nunca demonstrou algo grave. Mas, perto dos dois anos, começaram os episódios de mal-estar, fraqueza, palidez. Foi quando tudo mudou”, relata a mãe.
CIRURGIA
O novo ecocardiograma trouxe um cenário mais delicado. O canal permanece aberto e já provoca repercussões no funcionamento do coração, com dilatação das câmaras cardíacas. O impacto não é apenas cardíaco, exames apontam reflexos no fígado e na tireoide. A progressão pode ser rápida e silenciosa.
A alternativa médica é clara e urgente. Um procedimento por cateterismo para implantação de uma prótese que feche o canal. Diferente de cirurgias tradicionais, o método é menos invasivo e reduz riscos respiratórios, fator determinante no caso de Antônia. “A cirurgia aberta traria riscos ao pulmão dela, poderia gerar complicações graves. O cateterismo é o caminho mais seguro”, explica Ani.
O desafio, no entanto, não é apenas clínico, é financeiro. O procedimento custa R$ 70 mil e não é disponibilizado pelo SUS na modalidade necessária para o caso específico da criança. Até agora, a família conseguiu arrecadar cerca de R$ 16 mil. Ainda faltam R$ 54 mil.
“Cada dia conta. A gente sabe que tem cura, mas precisa agir agora. Não é uma escolha, é uma necessidade”, reforça a mãe.
Moradora da comunidade do Faxinal, a família encontrou na solidariedade coletiva uma rede de apoio que cresce a cada dia. Vizinhos, amigos e até desconhecidos têm se mobilizado. Há relatos de pessoas oferecendo hospedagem em Porto Alegre, doações espontâneas e apoio logístico, gestos que, segundo a avó Paula, “mostram que ainda existe muito amor no mundo”.
SOLIDARIEDADE
Para ampliar a arrecadação, uma série de ações está em andamento. Um almoço beneficente será realizado no dia 26 de abril, no salão da comunidade do Faxinal. Também estão sendo distribuídas urnas em comércios locais, além de campanhas digitais e mobilizações durante eventos na cidade.
Mas, acima de tudo, a campanha aposta na força do coletivo. “Se cada pessoa ajudar com um pouco, a gente chega lá. R$ 2, R$ 5… tudo faz diferença. O importante é não deixar essa corrente parar”, destaca Ani.
Enquanto isso, Antônia segue sendo criança. Brinca, sorri, interage, alheia à dimensão da luta que trava. É justamente essa leveza que torna a causa ainda mais urgente e comovente.
COMO AJUDAR
As doações podem ser feitas via PIX pela chave CPF: 052.986.300-65.
Também é possível contribuir com ingredientes para o almoço beneficente ou apoiar na divulgação da campanha.
Em meio à rotina dura de incertezas, a família mantém a fé e a esperança. “A gente acredita que vai conseguir. Já recebemos tanto apoio… só temos gratidão. E seguimos confiando que a Antônia vai continuar essa vida linda que ela tem”, conclui a mãe.
Porque, no fim, salvar o coração de Antônia é também um ato coletivo de humanidade.



