Angela Quaresma relatou a espera de quase três anos pela construção das moradias destinadas às famílias que perderam tudo durante a tragédia
Em entrevista concedida ao programa Conexão Itapuí, a representante do grupo de moradores atingidos pelo ciclone de 2023 em Caraá, Angela Quaresma, falou sobre a expectativa das famílias que seguem aguardando a construção das casas prometidas após o desastre que atingiu o município. Segundo ela, nenhuma das famílias contempladas recebeu a nova moradia até o momento.
Angela explicou que atualmente o grupo reúne 28 participantes, mas representa cerca de 40 famílias atingidas pelo ciclone. Ela destacou que muitas pessoas precisaram reconstruir suas vidas em diferentes cidades, como Santo Antônio da Patrulha, Gravataí e Novo Hamburgo, enquanto outras permaneceram em Caraá.
Segundo a entrevistada, algumas famílias enfrentam até hoje consequências emocionais da tragédia. “Tem pessoas que ficaram doentes, tem pessoas que ainda não participam de reunião porque têm sequelas de algum trauma”, afirmou.



Processo segue sem início das obras
De acordo com Angela, a área destinada ao novo loteamento já foi adquirida e a previsão é de construção de 40 casas. Ela relatou que a informação mais recente repassada pelo poder público é de que a documentação necessária foi concluída e que resta o início da execução da obra.
Apesar disso, os moradores seguem preocupados com a demora. A representante do grupo afirmou que houve problemas em processos licitatórios anteriores e que a burocracia pode ser um obstáculo. Segundo ela, os recursos para a construção já estão disponíveis por meio do governo federal, em um montante superior a R$ 5,6 milhões.
Angela também relatou que a falta de datas concretas gera insegurança entre os moradores. “O que mais nos incomoda é isso. Marca uma reunião para um dia, depois transfere para outro, e ainda falta documentação”, disse.
Aluguel social e mobilização
Enquanto aguardam a construção das moradias, parte das famílias continua sendo atendida pelo programa de aluguel social. Conforme Angela, o benefício foi renovado recentemente por mais um ano e atualmente garante R$ 500 mensais aos beneficiários.
A representante destacou ainda que o grupo tem buscado informações junto à Prefeitura e à Câmara de Vereadores para acompanhar o andamento do processo.
Ao final da entrevista, Angela reforçou o desejo das famílias de finalmente reconstruírem suas vidas após quase três anos de espera. “Tudo que a gente tinha estava ali naquilo que foi embora. E por que agora a gente vai demorar tanto para construir? Nós temos que esperar, mas ao mesmo tempo temos que caminhar e viver esse tempo ainda que nos resta”, afirmou.
Confira a entrevista na íntegra:
Fotos: Arquivo pessoal / Angela Quaresma
