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Inverno começa com atenção voltada ao retorno do El Niño no Rio Grande do Sul

por Maria Alice Ramos

Fenômeno pode aumentar volumes de chuva no Estado nos próximos meses

O inverno começou oficialmente no último domingo (21) e traz consigo um cenário de atenção para o Rio Grande do Sul. A possibilidade de fortalecimento do fenômeno El Niño ao longo de 2026 tem levado meteorologistas a monitorar as condições climáticas, já que historicamente o fenômeno está associado ao aumento das chuvas no Estado.

Climatologia de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) para o trimestre julho, agosto e setembro.
Período de referência: 1981-2010. Fonte: INMET.

O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e na circulação atmosférica, sendo composto por três fases: El Niño, marcado pelo aquecimento das águas; La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas; e neutralidade, que é quando não há atuação de qualquer dos dois fenômenos.

Chuvas acima da média são tendência para o Estado

De acordo com estudos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Rio Grande do Sul é uma das regiões brasileiras mais influenciadas pelo fenômeno. Isso ocorre porque o El Niño favorece o transporte de umidade da Amazônia para o Sul do país, intensificando a formação de sistemas de instabilidade e aumentando a ocorrência de temporais e acumulados elevados de chuva.

A previsão climática para o trimestre entre maio, junho e julho de 2026 já indica maior probabilidade de precipitações acima da média em território gaúcho. Historicamente, eventos de El Niño forte costumam provocar volumes superiores ao normal em praticamente todo o Estado, especialmente nas regiões Norte e Noroeste.

Memória das enchentes reforça necessidade de monitoramento

As enchentes registradas no Rio Grande do Sul em abril e maio de 2024 ocorreram durante a fase final de um episódio intenso de El Niño. Embora especialistas ressaltem que o desastre foi resultado da combinação de diversos fatores atmosféricos e oceânicos, o fenômeno contribuiu para intensificar as condições que favoreceram as chuvas extremas.

Para este inverno, o INMET projeta temperaturas próximas da média histórica e reforça que ainda não há previsão de eventos extremos no curto prazo. No entanto, a possível evolução do El Niño durante o segundo semestre aumenta a importância do acompanhamento constante das previsões meteorológicas e dos boletins climáticos emitidos pelos órgãos oficiais.

Composições de anomalias de precipitação no Brasil durante eventos de El Niño forte, entre os anos de 1961 e 2019, nos trimestres de (a) MJJ, (b) JJA, (c) JAS, (d) ASO, (e) SON e (f) NDJ. Os desvios foram calculados considerando a média climatológica de 1981-2010.
Anomalia de temperatura da superfície do mar entre os dias 03 e 09 de junho de 2026. Fonte: INMET.

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