Mais do que uma sequência de celebrações, a Semana Santa representa o coração da fé cristã. Iniciada no último domingo, 29, com o Domingo de Ramos, quando a Igreja recorda a entrada de Jesus em Jerusalém, a caminhada litúrgica conduz os fiéis à contemplação do mistério central do cristianismo: a paixão, morte e ressurreição de Cristo. Conforme destaca a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), este é o ápice do Ano Litúrgico, culminando no Tríduo Pascal, celebrado entre a Quinta-feira Santa e o Domingo da Ressurreição, onde a Igreja revive sacramentalmente a entrega total de Jesus e a vitória da vida sobre a morte, fundamento da esperança cristã.

Ao longo da semana, cada celebração aprofunda uma dimensão do mistério pascal. A Quinta-feira Santa recorda a instituição da Eucaristia e do sacerdócio, sinal do serviço e do amor vivido no gesto do lava-pés; a Sexta-feira da Paixão convida ao silêncio, ao jejum e à contemplação da cruz, expressão máxima do amor misericordioso de Deus; o Sábado Santo conduz à espera vigilante que explode em alegria na Vigília Pascal, considerada pela Igreja a mais importante celebração do ano, quando se proclama a ressurreição do Senhor. Segundo os subsídios litúrgicos da CNBB, é neste percurso que os cristãos renovam a fé e redescobrem que a esperança não nasce das certezas humanas, mas da confiança no Deus que caminha com seu povo.
PRÁTICA DA JUSTIÇA
Em sintonia com essa espiritualidade, o bispo da Diocese de Osório, dom Jaime Pedro Kohl, reforça em seu artigo “Bendito o que vem em nome do Senhor” que a Semana Santa começa com um gesto concreto de solidariedade. Ao refletir sobre a Coleta da Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos, o bispo recorda que a fé cristã não se limita à celebração litúrgica, mas se traduz em compromisso com os que sofrem. Inspirado na imagem de Cristo como Servo Sofredor, dom Jaime destaca que a verdadeira participação na Paixão do Senhor passa pela prática da justiça e da misericórdia diante das injustiças sociais, das guerras e das desigualdades que marcam o mundo contemporâneo.
A reflexão episcopal reforça que viver autenticamente a Semana Santa significa unir oração e ação. Para o bispo, a doação feita “com boa vontade e largueza de coração” torna visível o amor de Deus e transforma a celebração em experiência concreta de comunhão. Assim, ao acompanhar os passos de Jesus rumo à cruz e à ressurreição, os cristãos são convidados a superar a indiferença, partilhar as dores e esperanças da humanidade e renovar a certeza que sustenta toda a fé cristã: a salvação nasce do amor que se entrega e floresce na alegria da Páscoa.

FOTOS: PASCOM N. SRA. DA CONCEIÇÃO
