
A Igreja Católica no Brasil disponibiliza a “Cartilha de Orientação Política 2026 – A Política Melhor e a Cultura do Encontro”, uma publicação destinada a oferecer princípios, informações e critérios de reflexão para a participação dos cristãos e demais cidadãos na vida política durante o ano eleitoral.
Elaborada no âmbito da CNBB Regional Sul 2, a cartilha reúne conteúdos sobre a relação entre fé e política, funcionamento do sistema eleitoral brasileiro, atribuições dos cargos em disputa, participação dos cristãos leigos, desinformação, uso da inteligência artificial, justiça social, meio ambiente e cultura do diálogo.
A publicação destaca que a Igreja não apresenta soluções técnicas para os problemas sociais, nem assume posições partidárias ou ideológicas ou indica candidatos. A proposta, segundo o documento, é oferecer princípios, valores e orientações morais inspirados no Evangelho, com ênfase na dignidade humana, justiça, solidariedade e bem comum.
PARTICIPAÇÃO
Na mensagem de abertura, os bispos católicos do Brasil afirmam que, em um ano eleitoral, o país necessita de diálogo, espírito público e compromisso com questões que afetam a população. O texto incentiva a participação efetiva nas eleições e chama atenção tanto para a escolha dos representantes do Poder Executivo quanto do Legislativo.
Entre as prioridades mencionadas estão o enfrentamento das causas estruturais da pobreza, educação de qualidade, moradia digna e acesso à saúde. A mensagem também destaca a necessidade de combater a compra e venda de votos e de observar propostas concretas voltadas aos mais vulneráveis, à justiça socioambiental e à vida.
FÉ E POLÍTICA
A cartilha apresenta a política como uma atividade voltada à organização da vida em sociedade e à busca do bem comum. A partir da Doutrina Social da Igreja, afirma que a política pode ser considerada uma das formas elevadas de caridade quando exercida como serviço à sociedade e compromisso com justiça, paz e dignidade humana.
O documento também apresenta cinco princípios da Doutrina Social da Igreja: dignidade da pessoa humana, bem comum, destinação universal dos bens, solidariedade e subsidiariedade.
A participação dos cristãos leigos na política também é abordada. A cartilha considera a atuação política um campo legítimo para a promoção do bem comum, da justiça e da dignidade humana. Para aqueles que assumem uma vocação política, o documento defende responsabilidade e espírito de serviço.
VOTO CONSCIENTE
Um dos pontos destacados é a necessidade de conhecer os candidatos e avaliar suas propostas, tanto para o Executivo quanto para o Legislativo. A cartilha considera insuficiente escolher candidatos apenas por indicação ou pelo número apresentado no dia da votação.
O documento também propõe que os cristãos vivenciem o período eleitoral com discernimento espiritual, incluindo a oração e o pedido de orientação do Espírito Santo para que as escolhas sejam coerentes com os valores do Evangelho.
A opção preferencial pelos pobres e excluídos aparece como outro critério apresentado pela publicação. Segundo a cartilha, essa opção não significa excluir outras pessoas, mas priorizar os pobres nas ações e decisões, buscando enfrentar situações de injustiça e exclusão.
CULTURA DO ENCONTRO
O conceito que dá nome à cartilha é desenvolvido a partir da encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco. Conforme a publicação, a “política melhor” é aquela colocada a serviço do bem comum, orientada pela fraternidade, amizade social e caridade social.
Outro eixo é a chamada cultura do encontro. A cartilha defende que, durante as eleições, candidatos com diferentes ideias e propostas devem ser reconhecidos como adversários políticos, e não como inimigos.
A proposta é preservar o diálogo, o respeito e a escuta mesmo diante de divergências. Para o documento, a transformação do adversário em inimigo favorece a intolerância e empobrece o debate público, enquanto o reconhecimento da legitimidade do outro contribui para um ambiente democrático de discussão e construção coletiva.
DESINFORMAÇÃO
A publicação dedica um capítulo aos riscos das fake news e à utilização da inteligência artificial no processo eleitoral. A cartilha reconhece que a IA pode ampliar o acesso à informação e qualificar a comunicação política, mas ressalta os riscos de seu uso inadequado para a transparência eleitoral e a formação livre da opinião dos eleitores.
Entre as recomendações para identificar possíveis conteúdos falsos ou distorcidos estão desconfiar de mensagens sensacionalistas, verificar a informação em veículos conhecidos e credíveis, conferir data e contexto, observar se há fonte identificada e evitar confiar apenas em mensagens encaminhadas sem origem clara.
A cartilha também apresenta as regras eleitorais de 2026 relacionadas à inteligência artificial, incluindo a identificação de conteúdos produzidos com IA e restrições a deepfakes e manipulações que possam prejudicar candidatos.
ESPAÇOS RELIGIOSOS
Outro aspecto abordado é a relação entre campanhas eleitorais e espaços eclesiais. A cartilha afirma que propaganda política, explícita ou disfarçada, não pode ser realizada dentro das igrejas nem em suas proximidades.
O documento também orienta sobre o uso de imagens de candidatos ao lado de padres ou religiosos. Segundo a publicação, fotografias feitas em outros contextos podem ser utilizadas em campanhas para sugerir apoio institucional, inclusive sem autorização.
BEM COMUM
A cartilha apresenta o bem comum como objetivo central da política. O conceito é relacionado às condições necessárias para que todas as pessoas possam viver com dignidade, justiça e acesso a direitos fundamentais.
Nesse contexto, a publicação orienta os eleitores a observar se as propostas e atitudes dos candidatos estão voltadas ao conjunto da sociedade, especialmente às pessoas que mais necessitam.
Também são abordados temas como desigualdade econômica, emprego, renda, educação, saúde, direitos sociais e oportunidades. A orientação é que os eleitores analisem os caminhos apresentados pelos candidatos para enfrentar a desigualdade e promover uma sociedade considerada mais justa e fraterna.
VIDA E AMBIENTE
A publicação trata ainda da chamada cultura da vida, apresentada como a defesa da dignidade humana em todas as etapas da existência, desde a concepção até o fim natural.
O texto afirma que essa defesa deve alcançar também situações de vulnerabilidade relacionadas à infância, juventude, pobreza, desemprego, exclusão e velhice.
Outro eixo é o cuidado com a Casa Comum, conceito associado à encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco. A cartilha orienta os eleitores a observar propostas relacionadas à preservação dos recursos naturais, mudanças climáticas, uso sustentável da terra e desenvolvimento ambientalmente responsável. O documento relaciona as crises ambiental e social e destaca que os impactos da degradação ambiental atingem especialmente as populações mais pobres.
FISCALIZAÇÃO
A participação política, segundo a cartilha, não termina com o voto. O documento orienta os cidadãos a acompanhar a atuação dos eleitos, verificando votações, projetos de lei e decisões dos governantes e parlamentares por meio de sites oficiais, redes sociais e veículos de comunicação.
Também são apontadas como formas de participação o contato com representantes, participação em audiências públicas, cobrança de posicionamentos, denúncias aos órgãos competentes e atuação em conselhos, movimentos e iniciativas da sociedade civil.
ELEIÇÕES
Além da dimensão religiosa e ética, a cartilha apresenta informações práticas sobre as Eleições Gerais de 2026. São explicados o funcionamento dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, as atribuições de presidente, governador, senador e deputados, além das diferenças entre os sistemas majoritário e proporcional.
A publicação também reúne informações sobre requisitos para candidaturas, atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), propaganda eleitoral, financiamento de campanha e fiscalização dos eleitos.
Para adquirir a Cartilha no valor de R$ 2,00, acesse: https://cnbbs2.org.br/cartilha-de-orientacao-politica-2026-2/
Fonte: CNBB
