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Diocese de Osório lança Campanha da Fraternidade 2026 em transmissão de rádio regional

por Melissa Maciel

A Diocese de Osório lançou oficialmente, na manhã da Quarta-feira de Cinzas (18), a Campanha da Fraternidade 2026. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema bíblico “Ele veio morar entre nós”, a iniciativa propõe um amplo debate sobre o direito à habitação digna como condição fundamental para a vida e para a fé cristã.

O lançamento ocorreu durante programa especial gerado nos estúdios da Rádio Itapuí, em Santo Antônio da Patrulha, com transmissão simultânea pelas emissoras parceiras do Litoral Norte gaúcho: Rádio Maristela (Torres), Rádio Tupancy (Arroio do Sal), TOM Web Rádio (Terra de Areia), Rádio Comunitária de Tramandaí, Rádio Clube do Povo de Três Forquilhas e Rádio Comunitária de Osório. A programação teve duração de 55 minutos e foi acompanhada por meio das redes sociais.

Participaram do debate o bispo diocesano, Dom Jaime Pedro Kohl, o assessor eclesiástico para as Pastorais Sociais, Frei Wilson Dalagnoll, o coordenador diocesano de Pastoral, Pe. Luciano Motti, Pe. Ildomar Ambos Danelon, a professora de História e Geografia Sônia Dalmar e o defensor público da Comarca de Torres, Rodrigo Noschang.

CONVERSÃO SOCIAL

Ao contextualizar a proposta, Dom Jaime destacou que a Campanha da Fraternidade integra o caminho quaresmal da Igreja no Brasil desde 1964, consolidando-se como instrumento de evangelização e mobilização social.

Segundo o bispo, a cada ano a Igreja parte da espiritualidade da Quaresma, tempo de jejum, oração e caridade,para iluminar desafios concretos da sociedade brasileira. “A questão central é a fraternidade. A moradia aparece como um direito fundamental que precisa ser garantido a todos”, afirmou.

Dom Jaime ressaltou ainda que a capilaridade da Igreja, por meio de comunidades, pastorais e grupos, permite que o debate alcance diferentes realidades, promovendo conscientização e compromisso concreto.

Ao aprofundar o lema “Ele veio morar entre nós”, Pe. Luciano sublinhou que a moradia atravessa toda a tradição bíblica. Desde o Antigo Testamento, explicou, casa e terra estão vinculadas à dignidade, à família e à proteção da vida.

“O universo é criado como casa comum. A moradia é condição básica para a realização da vida humana”, afirmou.

O presbítero recordou ainda que Jesus nasceu em situação de vulnerabilidade e fez da casa espaço privilegiado de anúncio e salvação. “A comunidade cristã nasce nas casas. A casa se torna lugar de fé, acolhida e transformação”, pontuou.

DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA

Frei Wilson reforçou que a moradia é questão de justiça social. Ele destacou princípios da Doutrina Social da Igreja, como a dignidade da pessoa humana, o bem comum, a destinação universal dos bens e a opção preferencial pelos pobres.

“Não podemos naturalizar que milhares de pessoas não tenham onde morar. A fé cristã tem incidência social. Ela exige compromisso”, enfatizou.

O religioso chamou atenção para os dados nacionais que apontam mais de 300 mil pessoas em situação de rua no país, além de milhões vivendo em condições precárias.

IMPACTOS SOCIAIS

No segundo bloco do programa, a professora Sônia Dalmar abordou o déficit habitacional no Brasil e no Rio Grande do Sul, relacionando o problema à especulação imobiliária e à exclusão urbana.

O defensor público Rodrigo reforçou que o direito à moradia está previsto no artigo 6º da Constituição Federal como direito social fundamental. Ele destacou que a moradia não se restringe à casa física, mas envolve acesso a saneamento, energia elétrica, água potável, coleta de lixo e segurança jurídica da posse.

“O direito à moradia é porta de entrada para outros direitos, como saúde, educação e segurança. Sem moradia digna, a cidadania fica comprometida”, afirmou.

Segundo ele, o Brasil enfrenta um déficit de aproximadamente 6 milhões de moradias, além de milhões de famílias vivendo em condições inadequadas.

CAMINHOS CONCRETOS E COLETA DA SOLIDARIEDADE

No bloco final, os participantes indicaram ações práticas a serem desenvolvidas ao longo da Campanha da Fraternidade 2026. Entre as propostas estão o fortalecimento da articulação com políticas públicas, incentivo à regularização fundiária, apoio a iniciativas de habitação popular e mobilização comunitária.

Também foi reforçado o convite à Coleta Nacional da Solidariedade, marcada para 29 de março, Domingo de Ramos, cujos recursos são destinados a projetos sociais em âmbito local e nacional.

A Diocese anunciou ainda uma série de entrevistas para aprofundar o tema nas próximas semanas, com transmissões simultâneas pelas rádios Maristela e Itapuí.

O programa foi encerrado com a oração oficial da Campanha da Fraternidade 2026 e a bênção final concedida por Dom Jaime, marcando o início de um período de reflexão que une espiritualidade e compromisso social em todo o Litoral Norte gaúcho.

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