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Animados pela Palavra de Deus, Bispos do Brasil conduzem novena de Nossa Senhora Aparecida no Santuário Nacional

por Anderson Weiler

A Novena e Festa de Nossa Senhora Aparecida no Santuário Nacional tem recebido, a cada noite, um bispo para conduzir as reflexões que meditam textos bíblicos e documentos do magistério da Igreja. A partir do tema “Com Maria, em comunidade, conhecer e praticar a Palavra”, a proposta do Santuário neste ano foi destacar a Palavra de Deus e convidar os devotos a aprofundarem a relação com a Sagrada Escritura.

Maria revestida da Palavra de Deus

No primeiro dia de novena, o bispo emérito de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ), dom Francisco Biasin, conduziu a celebração com o tema “Com Maria, em comunidade, conhecer e praticar a Palavra”. No início de sua reflexão, o prelado manifestou palavras de consolo ao lembrar das alegrias e dificuldades enfrentadas pelas famílias dos devotos, lembrando que Maria também experimentou essas alegrias e dificuldades. Dom Biasin destacou que Deus conduz os seus filhos, convidando à abertura a Deus, na escuta e vivência de sua Palavra.

“Caminhamos na vida certos de que o Senhor conduz o nosso caminho pessoal e eclesial, e que é necessário deixarmo-nos conduzir por Ele sempre, sobretudo na escuta e na vivência da Palavra”.

Sobre Maria, dom Francisco Biasin destacou sua relação com as Sagrada Escrituras.

“Podemos afirmar que Maria falava com a Palavra de Deus, se expressava com frases da Bíblia. O dicionário dela era o dicionário dos profetas e dos simples de Israel. Ela era toda revestida da Palavra de Deus”.

O exemplo de cuidado

No segundo dia de novena, dom Rogério Augusto das Neves, bispo auxiliar de São Paulo (SP), meditou sobre a relação entre o discipulado de Maria e o cuidado para com os irmãos e a Casa Comum.

“Maria, nós podemos dizer que ela é discípula perfeita, porque traz em si as duas condições – discípula de Jesus e mãe de Jesus ao mesmo tempo. O Papa Francisco disse que a Casa Comum tem conosco uma dupla relação: por um lado é nossa irmã, como São Francisco a chamou, por outro lado, dependemos tanto dela, que também temos com ela uma relação de filhos”.

Dom Rogério falou do exemplo de Maria no cuidado: “Cuidamos da vida de cada um e da casa comum com Maria porque com ela que nós aprendemos a cuidar”, afirmou, citando a solicitude no cuidado de Isabel, o pedido a Jesus nas Bodas de Caná e a solicitude da Igreja nascente narrada nos Atos dos Apóstolos.

Maria testemunha da paz

No terceiro dia de novena, o convite foi a “olhar para Maria a partir desse tripé: paz, união, reconciliação”. O bispo de Petrolina (PE), dom Antônio Carlos Santos Cruz, recordou as motivações dos Papas para pedirmos e promovermos a paz, meditando especialmente a mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz de 2026, quando falou de uma paz “desarmada e desarmante”.

“Com Maria, queremos construir uma unidade. E um dos elementos para construir essa unidade é aquilo que o Papa chama de uma paz desarmada”.

Dom Antônio exortou que amar a paz “é também amar aqueles que são contra a paz, porque não se vence aqueles que são contra a paz fazendo guerra”.

Ele citou ainda o papel das religiões na construção da paz:

“Se as nossas religiões não forem instrumento da paz, nós vamos fazer guerras santas. E as guerras santas são terríveis, porque nós cometemos as maiores atrocidades e dizemos que é vontade de Deus e voltamos sem drama de consciências para casa. A guerra nunca é santa. Santa é paz”.

Citando São Paulo, dom Antônio convidou a confiar no amor de Deus, não temer, e, a partir dessa “experiência do amor de Cristo que nós encontraremos forças para construir a paz e a unidade”. Nesse sentido, “Maria é a grande testemunha de quem foi capaz de viver essa paz de Jesus”.

Aprender sobre o discipulado com Maria

No quarto dia de novena, o bispo de Guarapuava (PR), dom Amilton Manoel da Silva, meditou sobre os ensinamentos de Maria sobre discipulado. Pela proximidade dela com Seu filho, ela também nos aproxima de Jesus para não tirarmos o olhar Dele, que vai à nossa frente.

“Nós vamos aprendendo, também olhando para Maria, o jeito de segui-lo, de amá-lo e o jeito de servi-lo. Isto é discipulado”.

Dom Amilton recordou a exortação do Papa Bento XVI na abertura da Conferência de Aparecida, em 2007: “Permanecei na escola de Maria aqui a partir deste altar. Aprender com ela a conduzir e a direcionar as nossas vidas para Jesus”.

Terço e Bíblia na mão e no coração

O bispo de Imperatriz (MA) e presidente da Comissão Episcopal para a Juventude da CNBB, dom Vilsom Basso, presidiu a celebração do 5º dia de novena da Padroeira. Ele convidou a todos estarem juntos com Maria e levar “o terço e a Bíblia na mão e no coração”.

Meditando o texto do capítulo 4 dos Atos dos Apóstolos, que apresenta as primeiras comunidades, dom Vilsom recordou sua infância, no interior do Rio Grande do Sul, quando a família rezava o terço todas as noites, e em todos os dias da semana haviam as atividades de oração, meditação, estudo da Bíblia e da Doutrina, além de um testemunho de vida comunitária.

Dom Vilsom recordou e motivou práticas como os Círculos Bíblicos, a partilha da vida e dos dons, o ensinamento dos fundamentos da fé para as novas gerações para assim promover o discipulado e “guardar no coração a Palavra, como Maria o fez”.

Dom Vilsom recordou a pesquisa nacional com a juventude, a qual revela “a importância da missão, da evangelização, da criação de comunidades, de ter grupos de jovens, de famílias, círculos bíblicos, espaços onde se possa oferecer a iniciação à vida cristã, lugares e opções onde as pessoas possam se congregar, se reunir, se encontrar, partilhar sua vida, serem escutados, receberem os valores cristãos e reconhecerem a importância da oração, do terço, da bíblia, da Palavra de Deus”.

A fé se faz no caminho

No 6º dia de novena, dom Rubival Cabral Britto, bispo de Bom Jesus da Lapa (BA), iniciou motivando os devotos a olharem para o altar da Rainha e padroeira do Brasil com a certeza de que não caminhamos sozinhos. “A mãe nos acompanha, cuida de cada um de nós e nos apresenta ao seu filho, o Bom Jesus”.

Ao refletir sobre o trecho do Evangelho de Lucas sobre a ida da Sagrada Família à Jerusalém, quando o Menino Jesus é perdido e reencontrado, dom Rubival meditou sobre a piedade popular. O bispo citou a tradição anual de subir até a cidade como a “pura expressão da piedade popular naquela época”.

“A sagrada família de Nazaré caminha com o povo no meio da caravana, cantando os salmos, partilhando as dores e as alegrias da caminhada. Maria e José nos ensinam que a nossa fé se faz no caminho, no meio do povo, na beleza, na grandeza das nossas tradições, das nossas novenas, dos benditos, dos reizados, onde a fé se ilumina com a Palavra Sagrada”, refletiu.

A novena da Padroeira segue neste final de semana, culminando com a festa no dia 12 de outubro. Confira a programação.

Fonte: CNBB

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