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Reconhecer Jesus no partir do pão inspira vivência da fé no tempo pascal

por Melissa Maciel

No contexto do tempo pascal, o bispo da Diocese de Osório, Dom Jaime Pedro Kohl, em seu artigo desta semana, propõe uma reflexão sobre o reconhecimento de Jesus na vida cotidiana, inspirada no relato dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35). O artigo destaca a pedagogia de Cristo ao se aproximar, escutar e iluminar os acontecimentos à luz das Escrituras, conduzindo os discípulos da decepção à esperança, em um caminho que continua sendo referência para a iniciação à vida cristã, especialmente entre adolescentes e jovens.

A partir dessa experiência, o texto enfatiza a centralidade da Palavra e da Eucaristia como espaços privilegiados de encontro com o Ressuscitado, capazes de transformar corações e impulsionar a missão. A reflexão reforça que reconhecer Jesus no “partir do pão” exige abertura, escuta e disposição para testemunhar a fé no cotidiano.

Leia o artigo completo e aprofunde essa reflexão:

Reconhecer Jesus no partir o pão

Nesse tempo pascal, os textos litúrgicos continuam a nos surpreender com manifestações do Ressuscitado. De alguma forma, nos convidam a deixar-nos envolver pela sua presença e alegrar-nos com as experiências que podemos fazer.

Esse texto de Lc 24,13-35 é uma narrativa muito interessante e inspiradora. Nós, Diocese de Osório, construímos nosso programa de iniciação à vida cristã – catequese de adolescentes e jovens – a partir desse texto, pois acreditamos que aponta os passos a seguir para chegar a uma opção consciente e livre pelo seguimento de Jesus.

Vejamos, dois dos discípulos de Jesus, que tinham deixado tudo para andar com ele, naturais do povoado de Emaús, próximo de Jerusalém, decepcionados com a morte do Mestre, decidiram voltar para casa, pois, para eles, tudo parecia terminado. Sua decepção: “Esperávamos que ia restaurar Israel, mas já é o terceiro dia e nada aconteceu, só umas mulheres dizem ter tido uma visão de anjos…”.

Muito sutil a pedagogia de Jesus: aproximou-se, ouviu o desabafo e foi falando e mostrando como os fatos acontecidos tinham uma relação clara com o que estava anunciado nas Escrituras. Eles continuaram ouvindo com interesse e a esperança foi voltando e inundando seus corações. Feliz constatação: “Não ardia o nosso coração enquanto nos falava das Escrituras?”

A escuta das Escrituras já é encontro com Jesus, e o momento do partir o pão é ocasião privilegiada para uma experiência mais intensa da presença do Ressuscitado. Para isso, é preciso um tempo para apresentar a pessoa de Jesus, de modo que os jovens possam conhecê-lo, experimentar o seu amor e, assim, nascer espontaneamente a decisão de segui-lo como seu Senhor e Deus.

Como aconteceu com os discípulos de Emaús, também hoje, se há sinceridade na busca, a escuta da Palavra progressivamente leva para reconhecê-lo num lugar privilegiado: na partilha do pão eucarístico. O encontro foi tão real que partem para contar aos colegas o acontecido.

Precisamos deixar que a Palavra de Deus faça conosco o que fez com os discípulos de Emaús: o encontro com o Jesus ressuscitado provoca um discernimento que provoca um movimento de saída, ir comunicar a outros a experiência que dá sentido à vida com todos os seus desafios e sonhos.

Não pensemos que, para os discípulos, tenha sido tudo fácil. Precisou que Jesus lhes abrisse a inteligência para entenderem as Escrituras e que o Cristo sofreria e ressuscitaria dos mortos ao terceiro dia.

Dar testemunho da ressurreição de Jesus e levar essa Boa Notícia até os confins do mundo é missão de todo discípulo de Jesus, de todos nós.

Dom Jaime Pedro Kohl

Bispo de Osório

Fonte: Ascom Diocese de Osório / Melissa Maciel

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