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“Ser sal e luz”, dom Jaime reflete sobre identidade cristã e compromisso com a justiça

por Melissa Maciel

Em artigo pastoral, Dom Jaime Pedro Kohl, bispo da Diocese de Osório, propõe uma reflexão profunda sobre o chamado de Jesus para que seus discípulos sejam “sal da terra” e “luz do mundo”, conforme o Sermão da Montanha. A partir dessas imagens simples do cotidiano, o bispo destaca que a fé cristã não é apenas discurso, mas missão concreta, vivida no testemunho diário, na coerência de vida e no compromisso com o bem comum.

Ao desenvolver o tema, Dom Jaime enfatiza que ser sal e luz implica assumir responsabilidades: o sal que dá sabor ao mundo e a luz que ilumina a convivência humana passam, necessariamente, pela prática da justiça e pela vivência da caridade, como recorda o profeta Isaías. Segundo o bispo, Deus valoriza o culto expresso em boas obras, em um coração reto e honesto, capaz de transformar a realidade e tornar visível, na vida cotidiana, a presença do Reino de Deus.

Confira o artigo completo:

O Sal e a Luz sou eu…

Depois das bem-aventuranças, no Sermão da Montanha, Jesus continua ensinando seus discípulos: “Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Para nada mais serve, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens… Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. Nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire”.

O que Jesus quer dizer com esse jeito de falar: ser “sal da terra” e “luz do mundo”? Sempre que ouço esse texto, lembro-me do Pe. Zezinho: “Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo; ninguém mais quer o sal quando ele perde o seu sabor; o sal e a luz sou eu, sou o povo do Senhor”.

Jesus usou essas duas imagens do cotidiano para falar da identidade e da missão dos seus seguidores. Sabemos o quanto o sal é importante para dar sabor aos alimentos e o quanto a luz é essencial para uma boa convivência. O sal foi feito para salgar e, para exercer sua função, precisa ser misturado com algum alimento e desaparecer. A lâmpada foi feita para iluminar e, para isso, precisa ser exposta. Duas formas diferentes de realizar a missão: o sal desaparecer e a lâmpada aparecer. Cada um a seu modo, segundo sua identidade.

Uma das condições para a comunidade dos discípulos ser “sal que dá sabor e lâmpada que ilumina” encontramos em Isaías 58,7-10: “Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o e não desprezes a tua carne. Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá”.

A prática da justiça e a vivência da caridade são duas virtudes importantes para nos aproximarmos de Deus. Nenhum outro culto é aceito por Deus se não vier de um coração reto e honesto, um coração que ama. A injustiça e a falsidade não combinam com Deus. Somente quem caminha na justiça e diz a verdade tem o coração tranquilo e nada teme.

Deus acolhe e valoriza o culto prestado pelo testemunho de vida, pelas boas obras: “brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus”.

Dom Jaime Pedro Kohl, Bispo de Osório

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